Soleando a colheita aos 28 dias de julho de 2018 em terras agroecológicas da receptível comunidade rural de Sete Saltos de Cima em Ponta Grossa-PR, os anfitriões Asaeco (Associação Solidária da Agricultura Ecológica de Ponta Grossa e Região), Ceta (Centro de Estudos e Treinamento em Agroecologia) e Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ponta Grossa, representados pelos seus membros, conduziram a chegada dos convidados, participantes do 10º Encontro "Celebração da vida da Agricultura Familiar".
| Foto 01 - 10° Encontro "Celebração da vida da Agricultura Familiar" Ao centro Antônio Ostrufk, fundador do Ceta e Asaeco, em atividade prático-agroecológica em sua propriedade Fonte: Tomasi, 2018. |
Ao observar os passos de quem já caminhou para lá e para cá e fez da sua última paragem muitos caminhos para outros chegarem, em poucos minutos de conversa na roça a emoção de ver vidas ganhando chão fértil. A produtividade alicerçada à diversidade colorida, são tantas tonalidades entrelaçadas, seja aquelas comumente vistas e servidas as nossas mesas, como àquelas doutrora pisoteadas ou exterminadas e que agora se fazem alimento (Pancs). Até onde a vista alcança olhar, fomos olhados pelo novo, a possibilidade de plantar o respeito aos ciclos naturais. A potencialidade de se alimentar à produção dos elementos disponíveis na propriedade familiar e o entrelaçamento à vizinhança.
Foto 02 - 10° Encontro "Celebração da vida da Agricultura Familiar"
Convidados manipulando a palhada em terra de pousio/recuperação da fertilidade
Fonte: Tomasi, 2018.
Convidados manipulando a palhada em terra de pousio/recuperação da fertilidade
Fonte: Tomasi, 2018.
A diversidade está nas formas que os produtores vivem seus lugares, Antônio Ostrufk, sua esposa Cida (Presidente da Asaeco), seu filho Luciano, nora Ana Paula e neta Ana Júlia, vivenciam o cotidiano de ser/estar agroecológico. Transgredindo o modo convencional de produzir para algo que justifica e enaltece a riqueza ambiental local.
Fotos 03 e 04 - 10° Encontro "Celebração da vida da Agricultura Familiar"
As mãos carregadas pela vida - Planta alimentícia não convencional "Trevo" e Solo com microorganismos ativos
Fonte: Tomasi, 2018.
As mãos carregadas pela vida - Planta alimentícia não convencional "Trevo" e Solo com microorganismos ativos
Fonte: Tomasi, 2018.
As mãos de um produtor e incentivador dos estudos agroecológicos nos assegura a possibilidade de desenvolver técnicas e saberes pertencentes àqueles que fazem da terra sua morada, campo sagrado para trilhar histórias de vida. Antônio mais do que ninguém celebra a vida do trabalhador do campo e nos ensina a sermos atentos ao céus e terras entre os quais fazemos-nos vivos. O diálogo apurado de quem faz sua própria observação-participante, identificando as respostas que a própria natureza fornece a determinados cultivos.
O Projeto Alimentando à Vida promove a inclusão de produtores que já desenvolvem práticas agrícolas familiares que sustenta a agrobiodiversidade local, e, mais do que isso possibilita a comercialização destes produtos. O alcance regional dá voz aos sujeitos invisibilizados que têm condições de participar do mercado local-regional com alimentos sustentáveis e saudáveis.
A resistência por uma agricultura familiar sustentável pela agroecologia foi a grande temática deste 10º Encontro.
Foto 05 e 06 - 10° Encontro "Celebração da vida da Agricultura Familiar"
Diversidade alimentar e sementes crioulas
Fonte: Tomasi, 2018.
A rede de conexões agroecológicas e seus parceiros se mostra receptiva aos esforços de todos os produtores, participantes e adeptos da agroecologia em unidades familiares.
Por Tanize Tomasi
Pós-Doutoranda UEPG
Grupo Interconexões